"PALAVRAS MORDIDAS"
Palavras
incompreendidas
mordidas uma a uma
ombro a ombro hesitantes
na constelação da bruma
a incerteza é uma adaga
de vários gumes
ferindo o rasto
dos peixes luminosos
os marinheiros
alçam as velas
e as velhas vestidas de negro
te aguardam
nas janelas brancas
cortinadas de vento
Porém a sombra duma ave
se recorta incerta
no horizonte
LuizaCaetano
Há um vazio redondo
que fere o silêncio e os gritos
como escarpas estilhaçadas ...
Há um abismo redondo
na poeira dos meus passos
um precipício de mêdo
tecido na rotina dos dias...
Há um esgar de ausência
em cada noite encostado
como se esperasse
um pássaro por amanhecer...
Um cansaço de acuçenas
amarelecidas pelo tempo
na arena sangrando as esperas...
As Primaveras, subitamente feridas,
se extinguem num vazio redondo
como um grito contra o muro.
luizacaetano
Meu Amor,
Nosso cais de encontro
é um labirinto de partidas...
Chegaste tarde demais
na bússola do meu tempo,
no ancoradouro
do meu carinho,
e
na geografia do meu corpo,
há sempre um cais vazio
à tua espera,
e um velho calendário
marcando uma data antiga.
Porque
Partes sempre
antes de chegares
Luiza Caetano
*Luiza Caetano é Poeta e Pintora de Lisboa - Portugal
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